Era fevereiro de carnaval,
na pipoca da Ondina,
mas aí veio Jucema,
era uma beleza de menina.
Beleza é ironia,
aquilo era um canhão,
tava com um cd caramelado,
bem na palma da sua mão.
Eu fui pro beco da safadeza,
não era safadeza particular,
era a coisa pública,
feita pra cidade se amar
Recebi uma ferroada,
de um ferrolho miserável,
saí daquela mizera,
que jumência desarranjável.
Então invadi o bloco,
da Carla Perez e Alexandre Pires,
mas esqueci que a minha galera,
era o chique-chique.
Cheguei com a moral,
pra arrasar com a multidão,
quando veio a galera,
anunciando o arrastão.
Pega-pega daqui,
pega-pega dali,
era a zorra do carnaval,
e eu gostava disso aí
O povo indo pra casa,
gritando socorro, meu deus do céu,
era um verdadeiro fogo,
o carnaval virou bordel
O segurança me chamou,
quando chegou a samu 192,
eu falei que aquilo,
era carnaval do feijão com arroz.
Todo ano é a merma coisa,
o policial não entendia,
aquela mizera era sulista,
misturado com Banda Eva.
Bem de longe a gente ouvia,
a voz que anunciava a volta,
a volta da galera tiete,
era o bloco da Ivete.
Anunciou o pererê,
lá vai a festa, bug-bug bye
a dança do índio, a do queijo,
comendo espinafre do popeye
Subiu pela escadaria,
do trio elétrico da pu**ria
o Caetano Veloso,
com sua guitarra de orgia.
Tocava os Beatles, Rolling Stones
rolava pelas pedras,
e a galera no asfalto,
em pleno quebra-quebra.
No fundo da praia,
todo mundo se assustava,
e então ressuscitava,
Mamonas com Tim Maia.
O povo aplaudiu,
pegou autógrafo, a Globo viu,
foi uma briga da porra,
pra ver quem pegava o Dinho.
O Dinho se jogou no mar,
pegou o Ferry da Ivete,
foi pra Ilha de Itaparica,
comer um omelete.
Enquanto isso a galera se dividia,
uns iam nadando, nadando a beira mar,
outros ficavam assistindo,
a chubaca do Tim Maia cantar.
Então eu que não sou besta,
fui pro camarote apreciar,
os dois lados da ressureição,
comendo o meu vatapá.
A baiana tinha largado,
a mesa completamente estendida,
então eu comi pra cacete,
pra na consequência ter a dor de barriga.
Lá não tinha banheiro,
pulei o muro do vizinho,
o cara tinha alugado,
a casa pro Tio Paulinho.
Pedi licença porque queria,
naquele momento anunciar,
anunciar a anunciação,
que a minha rodoviária ia estourar.
Saí correndo pela sala,
procurando a porra do sanitário,
ele tava no centro,
mas no centro do armário.
Abri as duas portas do móvel,
então a porra se moveu,
vou um aliviamento gostoso,
era como conversar com Mano Morfeu.
No momento da subida,
olhei pro vaso com desgosto,
aquela merda não era minha,
aquilo me dava nojo.
Saí da casa sem coragem,
sem coragem de dar descarga,
a zorra se espalhou,
minuto seguinte tava na Austrália.
Houve uma verdadeira importação,
de Canguru pra América do Sul,
o carnaval era agora,
mais animal do quê na escola.
A galera era animada,
todo mundo agora pulava,
era um pula-pula do cacete,
parecia as tetas da vaca.
Vendo aquilo, o Dinho reapareceu,
tinha casado com o Mano Morfeu,
cantaram a música do tatu,
Jumento Celestino então correu.
Era uma festa de constrangidição,
não era só constrangimento,
nem cardiostropia,
era isso tudo com emoção.
No dia seguinte,
tava todo mundo no céu,
fazendo festa de novo,
porque o carnaval virou ecleticel.
Caratatumba, Matimbibá,
Tirituêta, Jucemaló,
Canguru, Avestruz,
ipiropó no anzol!
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
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